As chamadas “canetas emagrecedoras”, como as que utilizam semaglutida e tirzepatida, viraram febre.
Mas junto com o emagrecimento rápido, surgiu uma dúvida que tem assustado muita gente:
Esses medicamentos fazem o cabelo cair?
A resposta curta é:
Não diretamente, mas podem sim estar relacionadas à queda.
Agora vamos entender isso de forma clara, com base no que a ciência já mostrou.
O que dizem os estudos mais recentes
Estudos clínicos e observacionais mais recentes mostram alguns pontos importantes:
Em ensaios com semaglutida, como o Wegovy, queda de cabelo foi relatada em cerca de 3% dos adultos, contra 1% no grupo placebo.
Alguns dados indicam um risco maior de queda capilar quando comparado a outros tratamentos para emagrecimento.
Relatos clínicos e bancos de farmacovigilância também mostram aumento de casos de alopecia em pacientes que perderam muito peso rapidamente.
Mas aqui está o ponto mais importante:
Os especialistas são praticamente unânimes: a medicação não é a causa direta da queda.
Então por que o cabelo cai?
A explicação mais aceita hoje é uma só:
Eflúvio telógeno (queda por estresse do corpo)
Quando você emagrece muito rápido, o corpo entende isso como um evento de estresse.
E o que acontece?
Ele passa a priorizar funções essenciais para a sobrevivência e reduz o investimento em funções secundárias, como o crescimento do cabelo.
O resultado é que muitos fios entram ao mesmo tempo na fase de queda.
Esse processo é chamado de eflúvio telógeno e é o principal mecanismo envolvido.
O gatilho não é a caneta, é o emagrecimento rápido
Os principais fatores por trás da queda são:
Perda de peso acelerada
Quanto mais rápido o emagrecimento, maior o risco.
Principalmente quando a perda ultrapassa cerca de 10% a 20% do peso corporal.
Deficiências nutricionais
Dietas mal planejadas durante o uso podem levar à falta de nutrientes importantes como:
Proteína
Ferro
Zinco
Vitaminas do complexo B
Isso enfraquece diretamente o fio.
Restrição calórica muito intensa
Quando o corpo recebe pouca energia, ele entra em modo de economia.
Isso reduz o crescimento capilar e aumenta a quantidade de fios que entram na fase de queda ao mesmo tempo.
Toda pessoa que usa vai ter queda?
Não.
Muitas pessoas usam e não apresentam queda.
O risco aumenta quando o emagrecimento é muito rápido, a alimentação não está adequada ou já existe alguma fragilidade capilar.
Quando a queda aparece?
Esse é um ponto que gera muita confusão.
A queda não é imediata.
Ela costuma surgir entre um e três meses depois do início do emagrecimento ou após uma perda de peso mais significativa.
Esse padrão é típico do eflúvio telógeno.
A queda é permanente?
Na maioria dos casos, não.
É uma queda temporária e reversível.
Quando o corpo se estabiliza, o ciclo capilar volta ao normal e os fios voltam a crescer gradualmente.
Existe algo que preocupa?
Sim.
Especialistas já vêm observando um aumento de casos de queda capilar em consultórios, principalmente em pessoas que passaram por emagrecimento rápido.
Também existem investigações em andamento sobre possíveis impactos hormonais indiretos e relação com outros tipos de queda.
Ou seja, ainda é um tema em estudo.
O que realmente protege o cabelo nesse processo
Se a ideia é evitar ou reduzir a queda, o foco não deve ser apenas cosmético.
O que faz diferença de verdade é:
Emagrecer de forma mais gradual
Garantir ingestão adequada de proteína
Corrigir possíveis deficiências de ferro, zinco e vitaminas
Ter acompanhamento médico e nutricional
Conclusão
A caneta não causa queda de cabelo diretamente.
O emagrecimento rápido pode desencadear a queda.
O principal mecanismo envolvido é o eflúvio telógeno.
Na maioria dos casos, a queda é reversível.
O cuidado precisa ser interno, não apenas externo.
Referências científicas e médicas
Estudos clínicos com semaglutida (Wegovy) sobre incidência de alopecia
Revisões sobre queda capilar associada à perda de peso
Relatórios de farmacovigilância sobre uso de análogos de GLP-1
Literatura médica sobre eflúvio telógeno
Revisões clínicas sobre nutrição e ciclo capilar
Fonte: manual-1777242058825